sexta-feira, 1 de março de 2019

A RELIGIÃO DOS OUTROS



Gregorio Duvivier



Sério, gente, vocês têm que parar de rir da religião dos outros. A fé das pessoas é uma coisa sagrada. Não, macumba é diferente. Vocês têm que fazer um vídeo sobre macumba.

Macumba não é religião, macumba é magia negra. Macumba, umbanda, candomblé, vudu, tudo a mesma coisa de preto velho. Misifi põe uma galinha preta na encruzilhada que eu trago a pessoa amada em três dias.

Por favor, faz um vídeo sobre isso. Desculpa, gente, mas é que macumba é muito engraçado. Espiritismo também é uma piada pronta. Sabe o que vocês podem dizer? Que quem conversa com gente morta é esquizofrênico e tem que ser internado.

Budismo não é religião, é moda. Tem seis gatos pingados no Tibet e o resto é tudo socialite e ator em início de carreira. Fora que aqueles monges são muito gordos pra quem é vegetariano. Ninguém me convence que quando ninguém tá olhando eles comem uma picanha.

Mas pelo menos eles não pintam a cara igual hare krishna. Aquilo não é religião, aquilo é pretexto pra não tomar banho. Vocês não entenderam: quando eu digo religião, eu tô falando das religiões sérias.

Não, islamismo já é sério demais. Aí tem que zoar. Aquelas mulheres de burca parecem um apicultor. E os terroristas que acham que vão se encontrar com 30 virgens? Isso dava um vídeo. Quando eu digo religião, eu tô falando das religiões da Bíblia.

Não, judeu pode zuar também, claro. Judeu por acaso lê Bíblia? Estranho, foram eles que mataram Jesus.

Vocês têm que rir daquele bando de mão-de-vaca. Por que é que não fizeram nenhum vídeo de judeu? Tem que fazer.

Eu tô falando da Bíblia de verdade, completa, sem cortes. A escritura sagrada, que fala da vinda do Deus vivo à Terra.

Acho que é isso: quando eu digo religião, eu tô falando das religiões que envolvem Jesus. Não, não tô falando do Inri Cristo. Gente, eu tô falando sério. Quando eu digo religião, eu tô falando das religiões que envolvem Jesus, Maria, José, as que têm multidões de fiéis.

Tem que rir das religiões menores, as religiões de preto, de judeu. Não tem graça rir da fé da maioria do povo brasileiro. Acho que é isso: quando eu digo religião, eu tô falando a religião da maioria. Aí é que perde a graça.
Sim, por acaso essa é a minha religião. Tá bom. Quando eu digo que não pode brincar com religião, eu tô falando da minha religião. A minha religião não tem a menor graça.

RESUMÃO DE LITERATURA PORTUGUESA




Trovadorismo - Início: 1189 (ou 1198?) Cantiga da Ribeirinha, de Pai Soares de Taveirós. Considerada a mais antiga. Término: 1385 Fim da dinastia de Borgonha. O período reúne basicamente poemas feitos pelos trovadores. É contemporâneo às lutas pela independência e ao surgimento do Estado português. A poesia era cantada (daí o nome de cantiga). A poesia trovadoresca era feita em galego-português e sua divulgação era oral. A partir do final do século XIII as cantigas foram copiadas em manuscritos chamados cancioneiros. Três desses livros chegaram até nós: Cancioneiro da Ajuda; Cancioneiro da Vaticana; Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa.

Gêneros: lírico (cantigas de amigo, cantigas de amor) e satírico (cantigas de escárnio, cantigas de maldizer).

Cantigas de amigo: Voz lírica feminina; Tratamento dado ao namorado: amigo; Expressão da vida campesina e urbana; Amor realizado ou possível - sofrimento amoroso; Simplicidade - pequenos quadros sentimentais; Paralelismo e refrão; Origem popular e autóctone (isto é, na própria Península Ibérica)

Cantigas de amor: Voz lírica masculina; Tratamento dando à mulher: mia senhor; Expressão da vida da corte; Convenções do amor cortês: Idealização da mulher; Vassalagem amorosa; Expressão da coita; Origem provençal.

Cantigas de escárnio: indiretas; uso da ironia e do equívoco.

Cantigas de maldizer: diretas, sem equívocos; intenção difamatória; palavrões e xingamentos



Classicismo - Início: Sá de Miranda traz da Itália o soneto e outras inovações. Término: decadência de Portugal e domínio Espanhol. (1580) - Renascimento, renovação cultural. Crescimento da burguesia. Aumento das atividades econômicas. Melhoramentos técnicos e invenções. Grandes navegações. Arte e cultura greco-romana. Antropocentrismo. Surgimento das universalidades. Reforma e contra-reforma. Portugal busca novo caminho para as Índias. Onda de ufanismo. Racionalismo / universalismo. Perfeição formal. Camões épico - Os Lusíadas, 1572. Recria a história do povo português usando a Antigüidade greco-romana como pano de fundo. Poema narrativo com a figura de um herói: Vasco da Gama. Estrutura: Dez cantos divididos em cinco partes: proposição, invocação, dedicatória, narração e epílogo. Os episódios mais importantes: A Morte de Inês de Castro, O Velho do Restelo, O Gigante Adamastor, A Ilha dos Amores. Inês de Castro e a Ilha dos Amores são episódios com características líricas dentro do épico. Camões lírico - Dois tipos: seguindo o modelo medieval - medida velha e seguindo o modelo Renascentista. Temas: o amor, a busca da perfeição, o desconcerto do mundo, a mudança constante de tudo, a pátria, Deus, a figura feminina. Procura o universal. O amor é abordado através da antítese amor platônico X amor carnal. Figura idealizada da mulher X beleza física. Presença de antíteses e paradoxos.



Humanismo - Início: 1434 - Fernão Lopes é nomeado cronista-mor do Reino. Término: 1527 - Francisco de Sá de Miranda inicia o Renascimento em Portugal. Implantação da dinastia de Avis (1383-1385) - Consolidação da independência. Desenvolvimento do comércio. Formação do império colonial português. A língua portuguesa firma-se como língua independente. Declínio das características medievais. Abandono progressivo do teocentrismo. Florescimento da prosa. Declínio da poesia. Poesia palaciana (Cancioneiro Geral, de Garcia Resende, 1516). Autonomia em relação à música. Métrica. Surgem os livros impressos. Influência de Petrarca. Fernão Lopes: 1418 - guarda-mor da Torre do Tombo. 1434 - cronista-mor, Das crônicas que escreve, só restam três: Crônica de D. Pedro. Crônica de D. Fernando. Crônica de D. João I (1ª e 2ª partes). Sucessores de Fernão Lopes: Gomes Eanes de Zurara - a partir de 1454. Rui de Pina - a partir de 1497. Investigação crítica das fontes. Apresenta painel de uma coletividade. Considera causas econômicas dos fatos. Possui o dinamismo das novelas de cavalaria. Gil Vicente: Mentalidade medieval. teatro alegórico. teatro de tipos. Rupturas da linearidade do tempo e despreocupação com a verossimilhança. Teatro cômico e satírico. 



Barroco - Séculos XVII e XVIII - Dom Sebastião desaparece na Batalha de Alcácer Quibir. Portugal passa ao império espanhol. declínio comercial e naval. Portugal perde colônias para a Holanda. Surge o sebastianismo. Restaura-se a Coroa e Portugal se torna independente, 1640.  Novo período de riqueza graças ao ouro em Minas Gerais. Espanha e Portugal tornaram-se baluartes da Contra-Reforma, séculos XVI, XVII e XVIII. Sóror Mariana do Alcoforado - 1640-1723. (Cartas portuguesas). Pe. Antônio Vieira (sermões)



Arcadismo - século XVIII - Riquezas do ciclo do ouro de Minas Gerais. Desperdício, obra monumentais. Manutenção da Inquisição. Influência aristocrática e clerical.

Monarquia absolutista. Marquês de Pombal, ministro de D. José I expulsa os jesuítas. Manuel Maria Barbosa du Bocage (sonetos).



Romantismo – Início: poema Camões, de Almeida Garrett (1825) Final: Questão Coimbrã (1865) Portugal alia-se à Inglaterra contra a França. Figa de D. João VI para o Brasil. Intervenção inglesa. Muitos conflitos. Almeida Garrett (Viagens na Minha Terra). Alexandre Herculano (Eurico, o Presbítero). Camilo Castelo Branco (Amor de Perdição). Júlio Dinis (As Pupilas do Senhor Reitor).



Realismo-Naturalismo – Início: Questão Coimbrã, 1865. Antero de Quental (poemas e sonetos). Eça de Queirós (O crime do padre Amaro).



Modernismo – Início: Fundação da Revista Orpheu, 1915. Fernando Pessoa.



Pós-Modernidade – O autor contemporâneo mais conhecido de Portugal é José Saramago (O Evangelho Segundo Jesus Cristo, Memorial do Convento). É o único autor da língua portuguesa que já recebeu o prêmio Nobel de literatura.

RESUMÃO DE LITERATURA BRASILEIRA




Literatura Informativa - literatura composta por documentos a respeito das condições gerais da terra conquistada.
A Carta de Pero Vaz de Caminha - Duas viagens ao Brasil, de Hans Staden - Viagem à terra do Brasil, de Jean de Léry - Registro da antropofagia e descrição dos costumes indígenas II - Literatura Jesuítica (José de Anchieta).

BarrocoSurgiu na Europa, meados do século XVI - Brasil, início do século XVII. cultismo (exagero e rebuscamento formal) e conceptismo (exagero no plano das idéias) são manifestações de excesso da literatura barroca. Características: Arte da Contra-Reforma. Conflito entre corpo e alma. Temática do desengano (o desconcerto do mundo).  Linguagem ornamental, complexa. Gregório de Matos (Boca do Inferno) - Padre Antônio Vieira.

Arcadismo (ou Neoclassicismo) - Arte ligada ao Iluminismo. Oposição ao barroco. Racionalidade. Simplicidade e clareza.  Imitação dos clássicos. Imitação da natureza campestre. Bucolismo: adequação do homem à harmonia e serenidade da

natureza. Relação com a Inconfidência Mineira. Tomás Antônio Gonzaga (Marília de Dirceu) foi degredado e Cláudio Manuel da Costa (Obras poéticas) suicidou-se na prisão. Silva Alvarenga (Glaura) - Basílio da Gama (O Uruguai) morte de Lindóia. Santa Rita Durão (Caramuru) morte de Moema.

Romantismo - Fins do século XVIII, apogeu na 1ª. metade do século XIX. Ascensão da burguesia. Implantação definitiva do capitalismo. Individualismo e subjetivismo. Sentimentalismo. "Mal do século" (o tédio). Culto à natureza. Sonho, fantasia, tendência à idealização. Escapismo: tendências suicidas, culto da morte, criação de mundos imaginários, entrega ao álcool e à orgias. Liberdade artística. Desobediência às regras clássicas. Brasil: Início: 1836 - Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães. Fim: Década de 1870, morte dos últimos românticos importantes: Castro Alves e José de Alencar. Autores: Gonçalves de Magalhães (Suspiros poéticos e saudades). Gonçalves Dias (I-Juca Pirama).
Real-Naturalismo - II metade do século XIX - Objetivismo e impessoalidade. Busca da verossimilhança. Pessimismo. Racionalismo. Análise psicológica. Análise social. Arte vinculada às novas teorias científicas e ideológicas européias (Evolucionismo, Positivismo, Determinismo, Socialismo, Medicina Experimental).  , o homem é produto do meio (Taine). Naturalismo: mais sociológico e biológico. Tobias Barreto. Sílvio Romero. Aluísio Azevedo (O mulato – O cortiço). Machado de Assis (Memórias póstumas de Brás Cubas).

Simbolismo - Crise da concepção positivista. A palavra tem poder de evocar sensações. Culto da beleza. Religiosidade. Gosto pelo incompreensível. O mundo sensível não é o real (Platão). Expressa a essência e não a coisa. A coisa é apenas sugerida. Cultivo da musicalidade. Ruptura da métrica tradicional, Surgimento do verso livre. Concepção mística do mundo. Manifestação da maiúscula alegorizante. Sugestão de alvura e transparência como evocação da concepção mística. Interesse pelo indefinido e pelo mistério. Alienação social. Oposição à rigidez do Parnasianismo. 1893 - Missal e Broquéis - Cruz e Sousa. Alphunsus de Guimarães

Parnasianismo - Ruptura com a visão de mundo romântica. Rigor e culto da forma. Impessoalidade. Objetivismo. Vocabulário aristocrático. Rima rica e metro perfeito. Predominância da forma sobre o conteúdo. Inspiração na Antigüidade clássica. Valorização das formas fixas (soneto, balada, rondó). Valorização do verso alexandrino. Não há preocupação social. Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Olavo Bilac, Vicente de Carvalho.

Simbolismo X Parnasianismo - Subjetividade X Objetividade - Interiorização X Exteriorização - Espiritualidade X materialismo. O parnasianismo continuou a dominar, sufocando o simbolismo que se tornou “marginal”. Cruz e Sousa só foi valorizado após sua morte.

Pré-Modernismo - 1902 a 1922 - grupo passadista (parnasianos e simbolistas retardatários) - grupo renovador (sob variadas linguagens, com predomínio da prosa neo-realista, um conjunto de escritores – sem um projeto comum – tenta olhar para o país de uma forma mais ou menos crítica. eclético (mistura de várias tendências). Euclides da Cunha (Os Sertões). Graça Aranha (Canaã). Augusto dos Anjos (inclassificável).

Modernismo - A Semana de Arte Moderna - Antecedentes europeus: as vanguardas: Futurismo, Cubismo, Dadaísmo. Antecedentes brasileiros: publicação, em 1917, de diversos livros de poemas em que jovens autores buscavam uma nova linguagem, ainda não bem realizada. (Nós, de Guilherme de Almeida; Juca Mulato, de Menotti del Picchia; Cinza das horas, de Manuel Bandeira; e Há uma gota de sangue em cada poema, de Mário de Andrade). A célebre exposição de Anita Malfatti, em 1917, e que foi duramente criticada por Monteiro Lobato em seu célebre artigo Paranóia ou mistificação. Jovens artistas paulistanos saíram, então, em defesa da pintora, criando uma polêmica que os ajudou a formar um grupo desejoso de mudar a arte e a cultura brasileira.

A semana de Arte Moderna - Realizada em fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana representou a ruptura barulhenta com os princípios estéticos do passado.

A proposição de uma "semana" (na verdade, foram três noites) implicava uma amostragem geral da prática modernista. Programaram-se conferências, recitais, exposições, leituras, etc. O momento mais sensacional deu-se na segunda noite, quando Ronald de Carvalho leu um poema de Manuel Bandeira: Os sapos, uma ironia corrosiva aos parnasianos que ainda dominavam o gosto do público. Principais participantes da Semana: Mário de Andrade - Oswald de Andrade - Graça Aranha - Ronald de Carvalho - Menotti del Picchia - Guilherme de Almeida - Anita Malfatti - Di Cavalcanti – Villa-Lobos - Guiomar Novaes.
Pós-Modernidadelegitimação da pluralidade. Desestruturação do enredo. Ficcionalização de outros gêneros. Realismo mágico. Poesia marginal. Poesia concreta. Música – Autores: Raquel de Queirós (O Quinze). Cecília Meireles (O romanceiro da Inconfidência). Guimarães Rosa (Grande Sertão: Veredas). Jorge Amado (Gabriela, cravo e canela). Ferreira Gullar (A Luta Corporal, Poema Sujo). Antônio Callado (Quarup). José J. Veiga (A hora dos ruminantes, Os cavalinhos de Platiplanto). Lygia Fagundes Telles (Antes do baile verde, As meninas). João Cabral de Melo Neto (Morte e Vida Severina) Dalton Trevisan (Novelas nada exemplares, O vampiro de Curitiba). Ignácio de Loyola Brandão (Não verás país nenhum, Zero). Vinícius de Moraes. Torquato Neto. Paulo Leminski. Mário Quintana. Luís Fernando Veríssimo. Rubem Braga. Décio Pignatari, Haroldo de Campos e Augusto de Campos. Chico Buarque de Holanda. Etc.

sábado, 16 de fevereiro de 2019

RESUMO DOS PERÍODOS LITERÁRIOS


QUADRO-RESUMO DE LITERATURA PORTUGUESA




PERÍODO
DATAS
HISTÓRIA

AUTORES

OBRAS
CARACTERÍSTICAS
Trovadorismo
1189 (?) – 1434
* Cantiga da Ribeirinha.
* Formação de Portugal
* Feudalismo
* Teocentrismo
* Primeiras Universidades
* D. Dinis
* Paio Soares de Taveirós
* Martim Codax
* Cantiga da Ribeirinha.
* Demanda do Santo Graal.
* Cantigas de amor, de amigo, de escárnio e de maldizer.
* Novelas de cavalaria (prosa)
Humanismo
1434 – 1527
* Fernão Lopes ocupa o cargo de cronista-mor da Torre do Tombo.
* Grandes navegações.
* Antropocentrismo.
* Fernão Lopes
* Gil Vicente
* Crônica de D. Pedro I
* O auto da barca do inferno
* Prosa.
* Teatro.
* Poesia palaciana.
Classicismo
1527 – 1580
* Volta da Itália de Sá de Miranda.
* Império português no Oriente.
* Sá de Miranda.
* Camões.
* Medida nova.
* Soneto.
* Os Lusíadas.
* Versos decassílabos.
* Volta dos valores greco-latinos.

Barroco
1580 – 1756
* Morte de Camões
* Domínio espanhol
* Contra-Reforma
* Sebastianismo
* Padre Antônio Vieira.
* Sóror Mariana Alçofora-do.
* Todos os sermões do Padre Vieira.
* Cartas Portuguesas
* Contradição (antiteses)
* Predomínio da poesia

Arcadismo
1756 – 1825
* Fundação da Arcádia Lusitana
* Governo de Pombal.
* Revolução Industrial.
Revolução Francesa.
* Fuga de D. João para o Brasil.
* Bocage
* Sonetos
* Poesias satíricas
* Imitação da antiguidade Greco-romana.
* Predomínio da poesia
Romantismo
1825 – 1865
* Publicação de Camões, de Almeida Garret
* Revolução do Porto.
* Volta de D. João VI.

* Almeida Garret
* Alexandre Herculano
* Camilo Castelo Branco
* Viagens na minha terra
* Eurico, o presbítero
* Amor de perdição
* Predomínio do sentimento e da emoção.
* Abandono dos valores clás-sicos
* Nascem os romances em folhetins
* Culto à Idade Média



OBS – Todas as divisões e datas aqui apresentadas servem apenas para efeito didático, não apenas não são rigorosamente reflexos de uma realidade literária como também podem ser encontradas de forma diferente tanto na nomenclatura como nas datas em outras fontes de pesquisa. Portanto, esse resumo deve ser tomado apenas como um painel ilustrativo para orientação ao estudo.


 


QUADRO-RESUMO DE LITERATURA BRASILEIRA




PERÍODO

DATAS
HISTÓRIA
AUTORES
OBRAS
CARACTERÍSTICAS
Quinhentismo
1500 - 1601
* Carta de Pero Vaz de Caminha
* Literatura de informação
* Literatura dos jesuítas
* Pero Vaz de Caminha
* Padre Anchieta

* Carta a El-Rei Dom Manuel sobre o achamento do Brasil
* Literatura informativa e de pro-paganda
* Literatura religiosa
Seiscentismo ou Barroco
1601 – 1768
* Prosopopéia – poema épico de Bento Teixeira
* Contra-reforma
* Portugal sob o domínio espa-nhol
* Gregório do Matos Guerra
* Padre Antônio Vieira
* Poemas de Gregório
* Sermões do Padre Vieira
* Cultismo ou Gongorismo = Jogo de palavras
* Conceptismo ou Quevedismo = jogo de idéias
Setecentismo, Neoclassicismo ou Arcadismo
1768 – 1808
* Publicação de Obras, de Cláu-dio Manuel da Costa
* Fundação da Arcádia Ultrama-rina
* Revolução Industrial
* Revolução Francesa
* Independência dos EUA
* Inconfidência Mineira
* Tomás Antônio Gon-zaga
* Cláudio Manuel da Costa
* Obras
* Marília de Dirceu
* Cartas chilenas
* Modelos clássicos greco-latinos
* Fingimento poético
* Natureza amena
* Carpe diem
* Aurea mediocritas = exaltação do meio termo, da simplicidade
Período de transição
1808 – 1836
* Guerra napoleônicas
* Corte portuguesa no Rio de Janeiro
* Independência
* Regências



Romantismo
1836 – 1881
* Suspiros poéticos e Saudades – Gonçalves de Magalhães
* Burguesia no poder
* II Império
* Guerra do Paraguai
* Lutas abolicionistas
* Literatura nacional
* Gonçalves de Maga-lhães
* Álvares de Azevedo
* Gonçalves Dias
* Casimiro de Abreu
* Joaquim Manuel de Macedo
* Manuel Antônio de Almeida
* José de Alencar
* Suspiros poéticos e Saudades
* Noite na taverna
* Canção do exílio
* As primaveras
* A moreninha
* Memórias de um sargento de milícias
* Iracema, Lucíola, o sertanejo
* Predomínio do sentimento e da emoção.
* Abandono dos valores clássicos
* Nascem os romances em folhetins
* Nacionalismo
* Indianismo



OBS – Todas as divisões e datas aqui apresentadas servem apenas para efeito didático, não apenas não são rigorosamente reflexos de uma realidade literária como também podem ser encontradas de forma diferente tanto na nomenclatura como nas datas em outras fontes de pesquisa. Portanto, esse resumo deve ser tomado apenas como um painel ilustrativo para orientação ao estudo.


TROVADORISMO II – CANTIGAS SATÍRICAS

CANTIGA DE ESCÁRNIO: As características das cantigas de escárnio são: a pessoa satirizada não é nomeada, há ambiguidade, que é um aspecto linguístico importantíssimo na identificação de textos humorísticos. No caso do exemplo abaixo, entende-se que esse corvo é na verdade o amante da dona. Assim, a exclamação do trovador de que nunca viu uma mulher ter tanta sorte é ironia.
Obs: Quá! Acá!", além de ser a imitação do som produzido pelo corvo, em português arcaico, é "Aqui! Vem cá!”.

Cantiga de Escárnio
Joan Airas de Santiago

Ua dona, non digu’eu qual,
non agoirou ogano mal
polas oitavas de Natal:
ia por sa missa oir
e ouv’un corvo carnaçal,
e non quis da casa sair.

A dona, mui de coraçon,
oíra as missa enton
e foi por oir o sarmon,
e vedes que lho foi partir
ouve sig’um corvo acaron
e non quis da casa sair.

A dona disse: - Que será?
E i o clérigu’está já
revestid’e maldizer-m’á
se me na igreja non vir.
E diss’o corvo: - Quá, acá,
e non quis da casa sair.

Nunca taes agoiros vi,
des aquel dia que nasci,
com’aquest’ano ouv’aqui;
e ela quis provar de s’ir
e ouv’um corvo sobre si,
e non quis da casa sair.

(tradução livre)
Uma dona, não digo quem,
Não teve azar
Durante os festejos de Natal.
Ia sair para ouvir a missa
E houve um corvo carnívoro
E não quis da casa sair.

A dona queria mesmo
Ouvir sua missa,
E foi para ouvir o sermão
E olhe o que lhe foi acontecer:
Houve um corvo bem junto dela
E não quis da casa sair.

A dona disse: que será?
E lá o padre já está;
Falará mal de mim e me amaldiçoará
Se não me vir na igreja;
E diz o corvo: "Quá! Acá!"
E não quis da casa sair.

Nunca vi tal sorte,
Desde o dia em que nasci,
Como houve aqui naquele ano:
E ela quis realmente sair
E houve um corvo sobre si
E não quis da casa sair.


CANTIGA DE MALDIZER: A principal característica é a sátira ser direta, que pode (ou não) citar o nome da vítima ou até empregar linguagem chula, vulgar. No exemplo, um trovador havia feito uma composição satírica afirmando que, se enfeitasse um pouquinho o seu próprio ânus, ficaria muito mais bonito que determinada mulher. Pero d'Ambroa compôs a cantiga para zombar do seu colega:

Cantiga de maldizer
Pero d'Ambroa

Pero d'Armea, quando composestes
a vosso cuu, que tan ben parecesse
e lhi revol e concela posestes,
que donzela de parecer vencesse,
e sobrancelhas lhi fostes poer,
tod'est', amigo, soubestes perder
polos narizes que lhi non posestes.


(Tradução livre)
Pero d'Armea, quando você enfeitou
o seu cu, que tão bem ficou,
e nele maquiagem e perfume colocou,
deixando-o mais bonito que donzela,
e sobrancelhas pôs nele,
tudo isto, amigo, você pôs a perder
por causa dos narizes que não pôs nele.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

TROVADORISMO


O trovadorismo caracterizou-se por sua produção oral associada sempre à música. Assim, o que temos nessa época não são poemas, mas cantigas. Em outras palavras: a poesia não era recitada, e sim cantada. Essa tradição provençal acaba por se misturar à cultura da Península Ibérica, gerando assim o Trovadorismo Lusitano. Toda a produção trovadoresca não é exclusividade da Literatura Portuguesa, mas de uma literatura galaica, que tanto engloba Portugal quanto Espanha.

De acordo com o tratado poético encontrado no Cancioneiro da Biblioteca Nacional, as cantigas do Trovadorismo são divididas em: Cantiga de Amor, Cantiga de Amigo (cantigas líricas), Cantiga de Escárnio e Cantiga de Maldizer (cantigas satíricas).

CANTIGA DE AMIGO: A técnica de construção há paralelismo (versos que se repetem quase que integralmente, apenas com uma pequena variação no seu final) e de refrão (verso integralmente repetido). Isso facilita a memorização. Fora esse aspecto formal, quem fala é uma mulher (eu-lírico feminino), e o tema em geral é a falta de seu amado ("amigo"). Além disso, há o diálogo com os elementos da natureza, com a mãe ou com as amigas. Essa espécie de composição nasceu na Península Ibérica. Veja o exemplo abaixo:

CANTIGA DE AMIGO
Martim Codax

Ondas do mar de Vigo
se vistes meu amigo?
E ay Deus, se verrá cedo!

Ondas do mar levado
se vistes meu amado?
E ay Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amigo
o porque eu sospiro?
E ay Deus, se verrá cedo!

Se vistes meu amado
por que ey gran coydado? 
E ay Deus, se verrá cedo!

(Tradução livre)
Ondas do mar de Vigo,
vocês viram meu amigo?
E ai Deus, digam se ele voltará logo!

Ondas do mar levado,
vocês viram meu amado?
E ai Deus, digam se ele voltará logo!

Vocês viram meu amigo,
aquele por quem eu suspiro?
E ai Deus, digam se ele voltará logo!

Vocês viram meu amado,
por quem eu me preocupo tanto?
E ai Deus, digam se voltará logo! 

CANTIGA DE AMOR: apresenta um eu-lírico masculino que confessa a uma mulher de posição superior (o que se percebe pelo emprego da forma "senhor" - senhora, em português arcaico - e da segunda pessoa do plural) o sofrimento amoroso ("coita") por que passa. Esse distanciamento entre o trovador e sua amada é interpretado como um reflexo do feudalismo, em que a mulher assume o lugar do senhor feudal e o trovador o de servo. Sua servidão seria representada pela obrigação que tem de render-lhe homenagens, de fazer propaganda das qualidades da senhora (amor cortês). Veja um exemplo:

CANTIGA DE AMOR 
Martim Codax

Senhor fremosa, pois me non queredes
creer a coita en que me ten amor,
por meu mal é que tan ben parecedes
e por meu mal vos filhei por senhor,
e por meu mal tan muito bem oí
dizer de vós, por meu mal vos vi
pois meu mal é quanto ben vós havedes.

E pois vos vós da coita nom nembrades,
nem do afan que m'amor faz prender,
por meu mal vivo mais ca vós cuidades
e por meu mal me fezo Deus nascer
e por meu mal non morrir u cuidei
como vos viss'e por meu mal fiquei
vivo, pois vós por meu mal ren non dades.

E dessa coita em que me vós teendes,
en que oj'eu vivo tan sem sabor,
que farei eu, pis mi'a vós non creedes?
Que farei eu, cativo pecador?
Que farei eu, vivendo sempre assi?
Que farei eu, que mal dia nasci? 
Que farei eu, pois me vós non valedes? 
[...] 

(tradução livre)
Formosa senhora, então não quereis
acreditar no sofrimento em que me encontro por causa do amor,
Para minha desgraça é que sois bonita
e para minha desgraça escolhi a vós como minha senhora,
e para minha desgraça ouvi falar
tão muito bem de vós, e para minha desgraça vos vi,
pois minha desgraça são todas as qualidades que vós possuís.

E então vós não vos lembrais do sofrimento,
nem da angústia em que amor me faz ficar preso,
para minha desgraça vivo muito mais do que imaginais
e para minha desgraça Deus fez-me nascer
e para minha não morri quando pensei que fosse -
quando vos vi - e para minha desgraça fiquei
vivo, pois vós para minha desgraça não me dais a mínima atenção

E desse sofrimento em que vós me jogastes,
em que hoje eu vivo tão sem sentido,
que farei eu, pois vós não acreditais em mim?
Que farei eu, sofrido pecador?
Que farei eu vivendo sempre assim?
Que farei eu, que nasci num mau dia?
Que farei eu, pois vós não me dais valor?
Que farei eu, vivendo sempre assim?

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

VIDA LOKA




Sergio Vaz

Esses dias tinha um moleque na quebrada com uma arma de quase 400 páginas na mão.
Uma minas cheirando prosa, uns acendendo poesia.
Um cara sem Nike no pé indo para o trampo com o zóio vermelho de tanto ler no ônibus.
Uns tiozinho e umas tiazinha no sarau enchendo a cara de poemas. Depois saíram vomitando versos na calçada.
O tráfico de informação não para, uns estão saindo algemado aos diplomas depois de experimentarem umas pílulas de sabedoria. As famílias, coniventes, estão em êxtase.
Esses vidas mansas estão esvaziando as cadeias.
A Vida não é mesmo loka?